Tudo é objeto de disputa: lutamos pelo melhor pedaço de
bolo, pelo melhor emprego, pelo melhor momento, pela viagem dos sonhos, por uma
mesa no restaurante, pela atenção da família, pelo sucesso profissional, pelo
ar que se respira, pela roupa que se veste, pelo último pacote da promoção,
pela bolsa do governo, pelo olhar da menina, pela lambida do cachorro, pela
vaga no estacionamento, enfim, lutamos.
O metrô de São Paulo comprova isto – gente pulando a
janela, gente se espremendo, gente caindo, gente passando mal, gente sendo
pisoteada – o mais forte vence o mais fraco. É o que Keynes chamava de “espírito
animal”: um impulso espontâneo para a ação. É a famosa frase de Hobbes “o homem
é o lobo do homem”. É a seleção natural de Darwin: o que se adapta mais rápido, vence. É fácil de entender. Um cachorro não mata outro por vaidade, o homem sim;
um pinguim não mata outro por inveja, o homem sim; é matemática!
“- Que é que você acha da guerra?
- Não tem nada de errado com a guerra – respondi.
- Ah é?
- É. Quando você entra num táxi, isso é guerra. Quando você
compra um pão, é guerra. Quando você compra uma puta, é guerra. Às vezes eu
preciso de pão, táxi e puta.
[...]
- Não tem nada de errado com a guerra; ela é uma
extensão
natural da nossa sociedade” (p.132).
[BUKOWSKI, Charles. Numa Fria. Editora L&PMPOCKET,
2013]


