Em termos de nações, seria possível um capitalismo
igualitário e humano? É claro que não! Se as coisas funcionassem assim, o maior
problema do mundo, hoje, seria: de que maneira desenvolver a África? de que
maneira melhorar as condições de vida do continente mais miserável do planeta?
Mas a questão não é essa, as grandes potências estão preocupadas consigo
mesmas, com a saúde de suas próprias economias, e as questões externas só lhes
são importantes na medida de seus interesses.
Ao longo dos 250 anos que separam a Primeira Revolução
Industrial dos dias de hoje, os países se sucederam na hierarquia capitalista,
circulando entre o centro, a semiperiferia e a periferia, o que confere um
caráter heterogêneo à formação do mercado mundial, como bem observou
Wallerstein: “dentro da economia-mundo capitalista todos os estados não podem
se ‘desenvolver’ simultaneamente por definição, já que o sistema funciona por
ter núcleos desiguais e regiões periféricas”.
As economias desenvolvidas, porém, atingem a maturidade e,
depois disso, não conseguem crescer mais do que 2 ou 3 por cento ao ano; as
economias subdesenvolvidas, por sua vez, devido ao fato de serem subdesenvolvidas,
conseguem taxas bem mais elevadas e, nos anos 2000, conseguiram um índice três
vezes maior do que o observado na maior economia do mundo, os EUA. Devido a
esse quadro, alguns economistas acreditam estar diante de uma mudança no “centro
de poder do sistema”, e que um grupo de emergentes – Brasil, Rússia, Índia e,
principalmente, China – conhecido como BRIC, desbancará os norte-americanos.
Mais ainda: acredita-se que as rendas dos países pobres rapidamente
alcançarão a dos países ricos, eliminando a situação de subdesenvolvimento
econômico daqueles.
Entretanto, após a taxa média de crescimento do PIB dos
mercados emergentes ter alcançado o pico de 8,7%, em 2007, despencou para 4% em
2013. A pergunta é: as economias periféricas possuem a capacidade de ter um
crescimento rápido e duradouro o suficiente pra ascender ao mundo desenvolvido? ou isso é um mito?
[Referência: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ In: Declínio dos Mercados Emergentes, publicado em 08/03/2014]
"Economias puxadas por commodities, como as da Rússia e Brasil, tendem a se distanciar das desenvolvidas assim que os preços das commodities começam a cair. Segundo o Banco Mundial, das 101 economias de renda média de 1960, apenas 13 se tornaram e ainda se conservavam como de alta renda em 2008: Cingapura, Coreia do Sul, Espanha, Grécia, Guiné Equatorial, Hong Kong, Ilhas Maurício, Irlanda, Israel, Japão, Portugal, Porto Rico, e Taiwan. Dessas 13, apenas a Guiné Equatorial é uma economia dominada por commodities" (Ruchir Sharma, diretor de mercados emergentes da Morgan Stanley investment Management).
ResponderExcluirO título do post - O Mito do Desenvolvimento Econômico - é uma referência ao seminal livro do brasileiro Celso Furtado.
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