O mundo não é certinho, existe muita malandragem por detrás
das coisas. É como diz o ditado “quem tem boca vai a Roma”.
Os políticos, os religiosos, os empresários - e toda essa
gentinha que tem a posição social como objetivo de vida - pensam que o pobre é
um “joão-ninguém”, mas se enganam – o morro tem cultura, o morro tem ideias, o
morro tem voz.
Se a “elite” branca importa os bons costumes da Europa, a
rapaziada reinventa-os aqui, nas favelas; se a “elite” branca dança valsa
quando a filha faz 15 anos, a rapaziada dança o passinho; se as patricinhas
fazem cara feia, a funkeira manda a letra “Não olha pro lado, quem tá passando
é o bonde/ Se ficar de caozada, a porrada come”:
Pois é, há uma guerra, uma “luta de classes”, como diria
Marx. Mas eu jogo no time da rapaziada, como diria Bezerra da Silva “No morro
ninguém tem milhões de dólares depositados na Suiça”:
E por aí vai. Mas não é só isso não. No âmbito do
comportamento também há disputa: o que seria do homem pós-moderno sem a malandragem
da conquista? o que seria do homem se, no século XXI, tivesse que decorar
poemas românticos para conquistar mulheres? ou, em outras palavras, haveria
amor sem “mentiras sinceras”?
[Referências musicais: (1) Fala mal de mim, de Mc Ludmilla;
(2) Reunião de bacanas, interpretada por Originais do Samba; (3) Coração de
malandro, de Martinho da Vila]

"Eu acredito é na rapaziada/ Que segue em frente e segura o rojão" (Gonzaguinha).
ResponderExcluirO morro tem cultura! o morro tem ideias! o morro tem voz! Sim, tem!