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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Por que eles mentiram?

Muitos atribuem as dificuldades em suas vidas à presidenta reeleita Dilma Rousseff, principalmente gente da alta sociedade e pessoas de censo comum. Mas, para estes, o que está ruim? o preço da gasolina? o aumento de impostos? a baixa competitividade da indústria brasileira? o atraso das obras públicas? os escândalos de corrupção? do que, exatamente, estas pessoas estão reclamando? Sai governo e entra governo e as notícias são as mesmas, as manchetes são as mesmas... no mandato de FHC também havia tudo isto, no de Getúlio Vargas também havia tudo isto, no de Juscelino Kubitschek também havia tudo isto, sempre houve e sempre haverá tudo isto. Então, por que continuam insistindo nos ataques contra a presidenta?
A resposta é óbvia: interesses privados. É do conhecimento de todos que, após ganhar as eleições, o governante tem de negociar a governabilidade e, para tanto, tem de se sentar à mesa com a oposição – ministérios, secretarias e presidência de grandes órgãos são o alvo. Sabendo que possui metade do eleitorado brasileiro a seu favor, a oposição tem-se utilizado dos meios de comunicação de massa para pressionar. Prova disto foi a notícia veiculada ontem, em horário nobre, pela principal emissora de TV aberta do país: “Cresceu o número de miseráveis”.
Bastou esta informação incompleta para que milhões de fantoches começassem a publicar calúnias e injúrias de todos os tipos nas redes sociais. Influenciados pelo que julgam ser “a verdade”, uma legião de anônimos criam (com a falsa impressão de que o fazem pelas próprias ideias) uma espécie de “cortina negra” que obrigará o governo reeleito a ceder mais do que o necessário em nome da chamada “governabilidade”, comprometendo, desse modo, a margem de atuação de Dilma.
Quem perde com isto, caro leitor, não são os poderosos – donos de empresas, socialites, banqueiros – quem perde com isto é você, sou eu, pois eles herdarão os altos cargos e os altos salários, e nós, o que sobrar desta disputa. Precisamos começar a duvidar das coisas, a informação correta era: “Cresceu o número de miseráveis, mas diminuiu o número de pobres”. Por que eles mentiram?

[Imagem de Pawel Kuczynski]

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Greve dos Bancários

As estatísticas mostram que sem a greve os bancários hoje estariam “comendo o pão que o Diabo amassou”.
Nos anos do governo FHC, quando o movimento não possuía ainda uma unidade sólida, as perdas reais de salário foram significativas, mais na esfera pública do que na privada:
CAIXA ECONÔMICA
PERÍODO
REAJUSTE
INFLAÇÃO
GANHO REAL
1995-2002
26,94%
82,49%
-55,55%

BANCO DO BRASIL 
PERÍODO
REAJUSTE
INFLAÇÃO
GANHO REAL
1995-2002
33,7%
82,49%
-48,79%

BANCOS PRIVADOS
PERÍODO
REAJUSTE
INFLAÇÃO
GANHO REAL
1995-2002
72,8%
82,49%
-9,49%

Como se observa, houve uma forte redução nos salários reais da categoria. No caso da CAIXA, em especial, o poder de compra de seus funcionários foi reduzido em mais da metade durante os anos de neoliberalismo, quando se pregava o “Estado mínimo” na economia. Esta tendência só se inverteu quando a Esquerda assumiu o poder, em 2002, com Lula e, principalmente, quando os bancários, indignados, se unificaram e, a partir de 2003, passaram a fazer greve nacional, de grande repercussão, conduzida por uma “mesa única” de negociações. Não por acaso, a partir de 2004, a categoria deu guinada nos reajustes e, há nove anos, conquista aumentos reais:
BANCOS PRIVADOS, BANCO DO BRASIL E CAIXA
PERÍODO
REAJUSTE
INFLAÇÃO
GANHO REAL
2004-2012
61,0%
49,25%
+11,75%

As coisas funcionam assim, quem não se organiza, quem não reivindica os seus direitos, acaba ficando sem eles. Veja o exemplo dos carteiros, veja o exemplo dos professores, veja o exemplo dos policiais militares, gente que trabalha que nem bicho pra ganhar um salário de fome.
Graças a Deus a Constituição nos permite a greve. Graças a Marx e suas idéias revolucionárias de mobilização da classe trabalhadora, hoje temos direito de receber um salário melhor ou de, no mínimo, reivindicá-lo. Pra mim, as palavras do filósofo alemão soam tão atuais quanto os apelos midiáticos das inovações tecnológicas recentes: “Proletários do mundo, uni-vos!”.