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sábado, 27 de dezembro de 2014

Paradoxo Natalino

O Natal, que simboliza o nascimento do menino Jesus, é a data mais importante do cristianismo e, paradoxalmente, é também a data mais importante do ano para o comércio, em função da maciça venda de presentes.
Eu usei a palavra paradoxalmente, pois, na teoria, uma coisa não se relaciona com a outra. Apesar de, no Vaticano, os talheres serem de ouro, o cristianismo, em essência, é simplicidade; as circunstâncias que envolvem o nascimento do menino Jesus são a maior prova disso: “E ela deu à luz o seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar no alojamento” (LUCAS 2:7). A opulência, a índole consumista, a cerimônia com que a contemporaneidade reveste o Natal, portanto, é falsa, é inverídica, é mentirosa. O que acontece, no fundo, é uma apropriação das coisas – o capitalismo, com o intuito de vender, inventou o Papai Noel, a história da chaminé e as renas, povoando o imaginário ocidental com seus enfeites, substituindo a espiritualidade verdadeira pelo desejo de ser presenteado, a bondade pela alegorização, o gesto de amor pelo dinheiro.
Está certo que é no Natal que as famílias se reúnem, que as pessoas se abraçam, que os ânimos apaziguam, mas não está certo que os donos do poder façam do Natal a mais importante data do consumismo, que a indústria do marketing se apodere do “nome de Deus” para vender, que as criancinhas cresçam pensando que felicidade é ganhar o brinquedo mais caro.

[Fonte: Escrituras Sagradas ou Bíblia – Livro de LUCAS: capítulo 2, versículo 7]

sábado, 23 de novembro de 2013

A Fórmula da Felicidade

Na noite da última sexta-feira, dia 01/11/2013, assisti a uma reportagem sobre os segredos da boa-vida.
O personagem era um brasileiro, economista, que recebera um convite para trabalhar num grande banco estadunidense. Ascendeu na hierarquia da empresa e passou a ganhar “nada mais nada menos” do que $ 80.000,00 mil dólares por mês. Com este ordenado, adquiriu status, fama, patrimônio, entretanto, paradoxalmente, não se sentia feliz. “Faltava alguma coisa” – dizia.
Acabou largando tudo, inclusive o salário. Retornou ao Brasil para trabalhar como professor, ganhando 5% do que ganhava lá fora. A mulher, descontente, pediu separação. Sem o emprego “milionário” e, agora, divorciado, o “malucão” comprou uma casinha no litoral e passou a levar uma vida de solteirão.
Em uma das cenas mais marcantes da reportagem, o “doido” coloca um vinil do “The Archies” e começa a cantar e a dançar ao som de “Sugar, Sugar”. Ouça a música:


O solteirão fincava os pés no chão e, sorrindo, se balançava de um lado pro outro. Definitivamente as coisas haviam se invertido – se antes sobrava dinheiro, agora sobrava felicidade.


A fórmula fora descoberta e residia justamente nisto: na capacidade de refletir sobre a vida, partindo de um sentimento interior, e, num segundo momento, na capacidade de agir, enfrentando a tudo e a todos, em nome do que se supõe mais correto. Aos olhos da sociedade, o ideal seria continuar ganhando os $ 80.000,00 mil mensais, porém, no íntimo, quando as luzes do quarto se apagavam e tudo ficava escuro, havia uma voz que dizia “alguma coisa não está bem”. Me lembrou um pouco a música “Você”, do Raul Seixas: “Finge que é normal estar insatisfeito/ Por que você faz isso, por quê?”.