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sábado, 11 de abril de 2015

Em busca da Iluminação

Desde de que li Sidarta, de Hermann Hesse, me tornei um admirador da doutrina budista. O motivo é um só: a conexão com a realidade. Enquanto o ideal cristão constrói-se com base em deuses, semideuses e espíritos, o budismo constrói-se com base na figura do mestre; enquanto o ideal cristão confere ao homem um papel central, o budismo iguala todos os seres vivos; enquanto o ideal cristão considera a felicidade como algo que pode ser alcançado somente após a morte, o budismo considera a felicidade como algo que pode ser alcançado ainda em vida.
O título deste blog, ao contrário do que se possa imaginar, não faz referência à racionalidade cartesiana, mas à meditação budista que, por conceito, divide-se em duas fases: a samatha, que estimula a concentração, e a vipassana, que conduz ao entendimento. Assim, voltando-se para dentro de si mesmo, entrando em contato direto com sua natureza emocional, o homem – uma vez que conseguisse se organizar nesse sentido – teria mais lucidez para interagir com o mundo externo. Em outras palavras, partindo de uma conquista pessoal, já que os benefícios da meditação não podem ser atingidos sem esforços, o sujeito se credenciaria às práticas exigidas pela vida.


Os budistas ainda creem num ciclo de nascimento, morte e reencarnação. Esta última vai depender do carma (ações); logo, se a pessoa fizer boas ações, terá um bom carma e, consequentemente, uma reencarnação favorável. A existência, neste caso, iria diminuindo. O homem bom, numa segunda vida, se tornaria um gato; numa terceira vida, um hamster; numa quarta vida, uma borboleta... até desencarnar, até atingir o nirvana final. Deriva daí a máxima “não faça mal nem a uma mosca, pois a alma de sua avó pode estar nela”.
Em um vídeo que assisti, um mestre budista diz: "O que importa é a sua própria investigação. Você deve conhecer a realidade, não importa o que a escritura diz. No caso de haver um contradição entre, digamos, a Ciência e os ensinamentos sagrados, então você deve confiar na descoberta".

sábado, 23 de novembro de 2013

A Fórmula da Felicidade

Na noite da última sexta-feira, dia 01/11/2013, assisti a uma reportagem sobre os segredos da boa-vida.
O personagem era um brasileiro, economista, que recebera um convite para trabalhar num grande banco estadunidense. Ascendeu na hierarquia da empresa e passou a ganhar “nada mais nada menos” do que $ 80.000,00 mil dólares por mês. Com este ordenado, adquiriu status, fama, patrimônio, entretanto, paradoxalmente, não se sentia feliz. “Faltava alguma coisa” – dizia.
Acabou largando tudo, inclusive o salário. Retornou ao Brasil para trabalhar como professor, ganhando 5% do que ganhava lá fora. A mulher, descontente, pediu separação. Sem o emprego “milionário” e, agora, divorciado, o “malucão” comprou uma casinha no litoral e passou a levar uma vida de solteirão.
Em uma das cenas mais marcantes da reportagem, o “doido” coloca um vinil do “The Archies” e começa a cantar e a dançar ao som de “Sugar, Sugar”. Ouça a música:


O solteirão fincava os pés no chão e, sorrindo, se balançava de um lado pro outro. Definitivamente as coisas haviam se invertido – se antes sobrava dinheiro, agora sobrava felicidade.


A fórmula fora descoberta e residia justamente nisto: na capacidade de refletir sobre a vida, partindo de um sentimento interior, e, num segundo momento, na capacidade de agir, enfrentando a tudo e a todos, em nome do que se supõe mais correto. Aos olhos da sociedade, o ideal seria continuar ganhando os $ 80.000,00 mil mensais, porém, no íntimo, quando as luzes do quarto se apagavam e tudo ficava escuro, havia uma voz que dizia “alguma coisa não está bem”. Me lembrou um pouco a música “Você”, do Raul Seixas: “Finge que é normal estar insatisfeito/ Por que você faz isso, por quê?”.