quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Os Dez Melhores Poemas?

Listas com os dez melhores de todos os tempos são comuns. No entanto, em se tratando de arte, os critérios e as preferências variam de pessoa para pessoa.  Cada um tem a sua lista. Como dizer quais foram as melhores músicas? os melhores livros? os melhores jogadores de futebol? os melhores pilotos de F-1? os melhores pintores? Não dá, cada obra diz uma coisa diferente, possui um estilo diferente, pertence a um contexto diferente. De qualquer forma, na lista dos dez melhores poemas de todos os tempos da literatura universal, produzida pelo Jornal Opção, constam as seguintes textos:

1) O Corvo (Edgar Allan Poe)
2) A Terra Desolada (T. S. Eliot)
3) A Máquina do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)
4) Tabacaria (Fernando Pessoa)
5) Poema Sujo (Ferreira Gullar)
6) Cântico Negro (José Régio)
7) À Espera dos Bárbaros (Konstantinos Kaváfis)
8) E Então, Que Quereis?... (Maiakóvskis)
9) Os Estatutos do Homem (Thiago de Mello)
10) Hugh Selwyn Mauberly (Ezra Pound)

Muitos se perguntam “onde está Bukowski?”, “onde está Pablo Neruda?”, onde está Gibran?”, “onde, por acaso, está Camões?”. O professor de Literatua da UFPA, Abílio Pacheco, fez o seguinte comentário à respeito: “Parece-me óbvio que limitaram a escolha a poemas (líricos?) isolados. Livros que são um poema (Dante e Goethe, por exemplo) não parecem ter sido aventados pelo ‘júri’. Também não entendi a ausência de poemas em língua espanhola”. Como vocês podem perceber, cada um tem a sua lista.
Encerro com um trecho do poema número nove:

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
Agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm o direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem,
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Absurdos do Mundo Corporativo

O cartunista norte-americano Scott Adams, inspirado nos anos em que trabalhou na Pacific Bell, empresa provedora de serviços telefônicos, criou a série de tirinhas Dilbert. Com humor inteligente e crítica, o autor aborda a relação entre patrão e empregado, revelando os absurdos do mundo corporativo.















quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Amor Idealizado


A idéia de uma princesa ou príncipe encantado habita o imaginário do homem de todos os tempos.  O tema existe na Bíblia, na mitologia grega, na literatura renascentista, e parece ser inesgotável, parece ser o mais interessante, o que as pessoas mais gostam; se debate o amor muito mais do que se debate política. Seria o coração o motor da humanidade?
O anúncio abaixo, de página inteira, foi publicado em jornais e revistas de circulação nacional.

À Procura de Paula

Eu e você, no Terraço Itália, 7 de julho de 1994, São Paulo.
Eu, europeu, estava passando alguns dias no Brasil.
Você brasileira, estava promovendo uma marca de whisky.
Eu e você, no dia seguinte, 
passamos algumas horas no Parque do Ibirapuera.
Eu, 23 anos.
Você, 18.
Você me deu seu telefone.
Eu, infelizmente, perdi.
Eu, só após 4 longos anos, pude fazer este anúncio.
Você, mande sua foto 
dizendo o nome do hotel em que me hospedei,
para Caixa Postal 12986, CEP 04010-970 – São Paulo – SP.

O autor do anúncio, um empresário suíço chamado Frank, procurou, desta forma, tentar recuperar uma história de amor marcada pelo desencontro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sociedade Partida

No topo da pirâmide o sistema capitalista possui banqueiros, empresários e governantes que, respectivamente, necessitam, para a sua sobrevivência, de juros, lucros e impostos.
Quanto maior for esta carga, pior é para o povo, que se encontra na base desta estrutura, na posição mais vulnerável.
No jogo de interesses é óbvio que um banqueiro, com capacidade de empréstimos e financiamentos, vale muito mais do que um  mero cidadão, é óbvio que um empresário, com capacidade de investir  e gerar empregos, vale muito mais que um mero cidadão, quer dizer, depois de eleito o governante não precisa mais do povo, depois que as coisas se arranjaram e que o total de votos necessário foi atingido, o sujeito simples, o motorista de ônibus, o padeiro, o garçom, o Seu Zé, o Seu Chico, a Dona Maria, toda essa gente comum desaparece, deixa de ser importante, e tudo passa a girar em torno do bolo – com quem ficará a maior fatia?
E o que é pior: quando a população é ignorante e não participa, não procura se envolver com as decisões do governo, quando o povo pensa que política "é só votar e deu"  e que no mundo é "cada um por si e Deus por todos", aí então é que a sociedade vai por água abaixo. A qualidade da educação piora, a violência aumenta, a corrupção faz raíz... se o povo não se interessa por si mesmo, os poderosos muito menos!
Por isso é que um presidente com visão social é imprescindível. Só assim, na hora de dividir o bolo, sobrará alguma coisa pra nós, os famintos.
Por exemplo, numa sociedade onde haja altos índices de desigualdade social, isto é, onde os ricos sejam bem ricos e os pobres bem pobres, aumentar os impostos sobre a alimentação básica aprofundará o quadro de miséria, mas um governante sem visão social não pensa nisso, não se importa com isso, pois, na cabeça de um homem elitizado, o pobre não é mais do que um vagabundo que, tendo milhares de oportunidades de crescer na vida, preferiu ser o que é.
O homem não elitizado pensa o contrário. Este se sensibiliza com a tragédia do povo e, ao invés de sacrificá-lo ainda mais, reduz os impostos sobre a cesta básica (açúcar, arroz, feijão, óleo, leite), facilitando a vida do infeliz. E se o governante for esperto, ainda negocia com o produtor “eu reduzo impostos, você reduz preços e aumenta o salário”. Com dinheiro a mais, o consumo, de um modo geral, aumenta, e a perda, decorrente da diminuição de impostos, é minimizada pelo crescimento da economia.
Assim, comem todos. Como diriam os debochados “sempre sobra um restinho”.

Uma música de Chico Buarque, intitulada O Malandro, retrata com bom-humor esta relação de empurra-empurra que existe por detrás dos panos e que, não por coincidência, sempre arrebenta em cima do mais fraco. "Pega ladrão, pega ladrão!"


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Mundo Visto de Cima

Em 1966 o poeta brasileiro Affonso Romano de Sant’Anna ao visitar o Empire State Building, que na época era o maior edifício do mundo, se encantou com o que viu e, em função da inspiração suscitada, criou um conjunto de poemas que reproduzirei aqui, juntamente com as fotos do francês Yann Arthus-Betran que, em sua busca por um ângulo diferente, retratou minas de carvão, cemitérios e até viadutos, de cima. 


Este edifício, não resta dúvida:
é o mais alto. O mais alto do mundo,
talvez,
o mais alto-talvez do mundo,
o mais alto do mundo-talvez,
este edifício é um concreto talvez,
o mais concreto-talvez do mundo,
o concreto mundo,
o mundo mais
ou menos
                     talvez,
o tallest do mundo,
o pênis maior do mundo.
Este edifício
o mais edifício,
edifício entre edifícios,
edifício dentro de edifícios,
edificientíssimo.


3.500 milhas de fios telefônicos,
6.500 janelas,
1.860 degraus desde o solo até o 102° andar,
toneladas de aço suficiente para ligar Baltimore à New York
ida e volta,
um milhão de visitantes por mês,
uma das oito maravilhas do mundo,
- a única construída no século XX,
- neve e chuva podem ser vistas caindo lá de cima,
a chuva, às vezes, é vermelha.


Este edifício é tão alto
que se vê o Hudson e o East River circulando,
embora não se leia o nome dos cargueiros
nem se saiba o que e quem transportam.
É tão alto
que até o estrangeiro lá de cima se orgulha com 
orgulho alheio,
mas não é tão alto que nos possa esconder
dos cogumelos e outros derivados da cozinha atômica.