Mesmo quando compartilham a mesma visão de como
a economia funciona, os economistas com frequência divergem quanto ao peso que
se deve atribuir aos diferentes objetivos. “Em
macroeconomia, por exemplo, alguns economistas desejam reduzir a desigualdade
de renda mesmo que alguns dos meios necessários para alcançar essa meta, como a
elevação dos impostos, tenham efeitos adversos sobre a atividade agregada.
Outros acreditam que se deve aceitar essa desigualdade de renda e que é mais
importante ter um alto nível de atividade agregada. Alguns economistas atribuem
um peso maior ao combate às altas taxas de desemprego do que à luta contra a
inflação, porque encaram o desemprego como um grande mal social. Outros, porém,
acham mais importante combater a inflação, que consideram mais perigosa para a
sociedade. Em geral estas discordâncias correspondem à divergências políticas.”
(p.13-23)
O que determina o rumo da política
macroeconômica e, consequentemente, o destino de uma sociedade é, portanto, o
argumento. O instrumental matemático, neste caso, seria relevante, uma vez que
os números transmitem uma ‘verdade exata’. Influenciado por estas tendências,
A. W. Phillips, em 1958, construiu um gráfico estatístico que estabelecia uma
‘relação inversa não linear’ entre os níveis de emprego e as taxas de inflação:
“Do
ponto de vista da política econômica, a Curva de Phillips mostra que em muitos
casos a redução do desemprego implica elevação dos salários monetários e,
portanto, inflação; ou, ao contrário, uma política de combate a inflação
(redução dos salários monetários) significa aumento da taxa de desemprego. Essa
‘concepção mecanicista’ da economia, ainda que antiga e posteriormente refutada
pelos fatos, é muito tradicional. Muitas vezes ouvimos dizer que ‘se os juros
diminuem, a economia aquece’ ou ‘se o câmbio se desvaloriza, as exportações
aumentam’ ou, como supõe Phillips, ‘se o desemprego cai, a inflação sobe’.”
(p.17)
Eu, particularmente, prefiro entender a
economia a partir da chamada ‘estrutura de poder’. Ou seja, prefiro pensar que
não existe uma lei geral ou uma lógica exata para se decidir qual o objetivo
macroeconômico mais importante para a sociedade; penso que esta decisão esta,
antes de tudo, relacionada a um jogo de interesses: quanto menor for o salário,
maior será o lucro; uma taxa de juros elevada favorece os negócios do
banqueiro; por meio da inflação (emissão monetária) os governantes podem
confiscar parte importante da riqueza de seus cidadãos...
[Referência bibliográfica: LUQUE, Carlos
Antônio; SCHOR, Sílvia Maria. Teoria Macroeconômica: Evolução e Situação Atual.
In: Manual de Macroeconomia. (com adaptações)]

